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🇧🇷 Brasilmiércoles, 10 de junio de 2026

O Brasil desaparece do mapa quando o Oriente Médio entra em colapso. Essa é a lição mais elementar que emerge da seção Brasil de hoje, onde uma única manchete sobre a escalada entre Irã e Estados Unidos ocupa o espaço que deveria estar reservado para notícias sobre o país. A imprensa internacional, concentrada nos ataques iranianos contra bases americanas no Golfo Pérsico e na retaliação que se desenrola, simplesmente não encontra espaço para o Brasil numa quarta-feira em que o petróleo sobe e as sirenes soam no Bahrein.

Isso não é uma observação trivial. Revela algo estrutural sobre como o Brasil funciona no imaginário da cobertura estrangeira: como um país que existe sobretudo quando oferece uma narrativa que o mundo já sabe como interpretar. Quando há uma descoberta de talentos no tênis, quando há uma história de imigração que toca nas contradições americanas, quando há uma crise sanitária que questiona a competência de gestão, o Brasil ganha espaço. Mas quando o mundo está ocupado com a possibilidade de uma guerra no Oriente Médio, quando os preços do petróleo começam a se mover e as potências globais emitem comunicados sobre escalada, o Brasil simplesmente não tem nada a dizer que interesse.

Ou melhor: o Brasil não tem nada a dizer porque não está sendo perguntado. A manchete que aparece aqui, sobre o Irã atacando bases americanas, é um texto que poderia ter sido publicado em qualquer seção de qualquer jornal internacional. Não há nada de específico sobre Brasil nela. Não há uma perspectiva brasileira sobre a crise, não há uma análise de como isso afeta o comércio ou a política externa brasileira, não há sequer uma citação de alguma autoridade brasileira reagindo aos acontecimentos. O Brasil é invisível não porque não exista, mas porque não foi convocado a participar da conversa.

Esse silêncio é particularmente notável porque o Brasil, como produtor e exportador de commodities, como país com interesses geopolíticos crescentes e como membro do BRICS, teria razões legítimas para aparecer numa cobertura sobre escalada no Oriente Médio. Uma análise competente sobre como a instabilidade no Golfo Pérsico afeta os preços de energia e, portanto, a economia brasileira seria esperada. Uma reflexão sobre como o Brasil se posiciona num mundo cada vez mais polarizado entre Washington e seus adversários seria relevante. Mas nada disso ocorre. O Brasil fica de fora, e a razão é simples: a imprensa internacional não vê o Brasil como um ator que molda eventos globais. Vê-o como um país que sofre as consequências daquilo que acontece alhures.

A seção Brasil de hoje funciona, portanto, como um espelho invertido. Mostra não o Brasil tal como é, mas o Brasil tal como é ignorado. E esse tipo de invisibilidade é, paradoxalmente, mais revelador do que qualquer manchete poderia ser. Diz que o Brasil ainda não conquistou o status de potência cujas posições interessam quando a geopolítica se redefine. Diz que, mesmo quando eventos globais têm implicações diretas para a economia e a política brasileira, a cobertura estrangeira segue seu curso sem se dar ao trabalho de incluir a voz ou a perspectiva do país. Diz, enfim, que o Brasil continua sendo visto como um espectador de seu próprio tempo.

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