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🇧🇷 Brasilmartes, 11 de agosto de 2026

Há dias em que a ausência do Brasil no noticiário internacional é ruidosa, e há dias em que ela é silenciosa. As manchetes de hoje pertencem à segunda espécie. O mundo acorda com duas notícias que não tocam o país por nenhuma de suas pontas: a ameaça de Trump de cobrar do Irã indenizações por ataques históricos e a correria dos franceses por óculos especiais antes de um eclipse quase total. Nenhuma das duas menciona o Brasil. Nenhuma das duas precisa mencioná-lo. E é precisamente nesse desinteresse que se pode ler algo.

Não se trata de reclamar de um protagonismo que o Brasil não teria como reivindicar. Trump e o Irã pertencem a uma geopolítica na qual o Brasil não é convidado, nem mesmo como espectador relevante. A França diante de um eclipse é uma notícia sobre o mundo rico e o seu conforto com o espetáculo da natureza — um luxo narrativo que pressupõe uma população com tempo, recursos e interesse para olhar o céu. O Brasil não está aí. Está fora desse enquadramento, o que é uma forma de dizer que não é visto como parte do cenário onde o poder se exercita nem como parte do cenário onde a civilização se admira.

A cobertura dos dias anteriores, quando o país aparecia em crises diplomáticas e acidentes, ao menos o colocava dentro de uma narrativa — incômoda, mas ativa. Hoje, o que se vê é outra coisa: o Brasil não é nem o problema nem a solução, nem o perigo nem a vítima. É um não-lugar no mapa mental do noticiário internacional. Isso pode parecer um alívio depois de semanas de manchetes adversas. Mas é um alívio enganoso. A ausência não significa paz, significa irrelevância. E ser irrelevante no momento em que Trump reescreve as regras do confronto global é, para um país que se pretendia ator internacional, uma notícia em si.

Há uma ironia fina na manchete do eclipse. Enquanto a França se prepara para observar, com óculos apropriados, um fenômeno que escurece o céu por alguns minutos, o Brasil não aparece em lugar nenhum. Fora da sombra, fora da luz. O olhar de fora, nesta terça, não encontra o país nem para criticá-lo. É um silêncio mais profundo que o da indiferença: é o da completa desnecessidade. O editorial de hoje poderia ser mais longo, mas a matéria-prima é curta. O Brasil não está nas manchetes, e essa é a única manchete que nos diz respeito.

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