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🇧🇷 Brasiljueves, 13 de agosto de 2026

A campanha eleitoral no Brasil, conforme retratada pela imprensa internacional, segue sendo lida menos como um processo democrático interno e mais como um espetáculo de conflitos institucionais — um roteiro que oscila entre o Legislativo e o Judiciário, como se o país fosse um laboratório de tensões entre poderes. O que chama a atenção não é tanto o conteúdo das críticas — afinal, candidatos questionando as regras orçamentárias ou atacando cortes judiciais não é novidade —, mas a forma como esse embate é enquadrado: como uma luta de narrativas onde a institucionalidade é, ao mesmo tempo, o campo de batalha e o adversário.

Lula, ao incluir nas suas propostas a reforma das emendas parlamentares, não está simplesmente apresentando uma política pública, mas declarando guerra a um sistema que, segundo o programa oficial do PT registrado no TSE, "seqüestra o orçamento público". A descrição é forte: "distorção grave", "usurpação de prerrogativas", "recursos dispersos". O tom é de denúncia, mas também de desafio. No entanto, o próprio texto reconhece que, nos últimos quatro anos, o governo trabalhou "em conjunto com o Congresso", o que sugere que o conflito não é estrutural, mas estratégico. A pergunta que a imprensa estrangeira levanta é: por que agora, às vésperas da eleição, transformar esse tema em bandeira? A resposta implícita é que Lula precisa mobilizar sua base contra um Congresso que, em 2025, já o desafiou ao derrubar um decreto presidencial. A imprensa lê aí uma tentativa de reconfigurar a imagem do governo como defensor do interesse público contra a "casta legislativa", uma narrativa que já foi usada antes, mas que agora é temperada com cautela para não soar como um ataque frontal ao sistema.

Já Flávio Bolsonaro não mira o Legislativo, mas o Supremo Tribunal Federal, e o faz com uma estratégia emocional e institucional. O episódio da proibição de visitas ao pai, Jair Bolsonaro, foi transformado em ato político: o senador filmou-se chorando ao ler uma carta, chamando a decisão do ministro Alexandre de Moraes de "desumana, insana e injusta". A imagem do choro, editada e compartilhada, é poderosa, e a imprensa internacional não a ignora. Mas o que mais interessa aos observadores estrangeiros não é a emoção, e sim a ameaça: Flávio promete, se eleito, nomear ministros para o STF que "respeitem a Constituição" — uma frase que, em boca bolsonarista, soa como um código para uma reforma radical da corte. A imprensa destaca ainda o interesse estratégico do candidato em influenciar a composição do Senado, único poder com capacidade de abrir processo contra ministros do Supremo. A mensagem é clara: a direita brasileira não quer apenas ganhar a eleição, quer redefinir as regras do jogo institucional.

O que a mídia estrangeira omite, ou subestima, é a complexidade desse cenário. Não há, afinal, uma crise institucional em curso, mas uma campanha eleitoral que explora tensões existentes. O Congresso não está paralisado, o STF não está sob ataque sistemático — pelo menos não além do que já é rotina na política brasileira. O que se vê é uma campanha que transforma conflitos ordinários em batalhas existenciais. A imprensa internacional, sedenta por narrativas de polarização, lê esses movimentos como sinais de uma democracia em risco, quando, na verdade, são apenas os ruídos de uma democracia em funcionamento.

O mais irônico é que, enquanto a campanha brasileira é reduzida a um duelo entre Lula e Flávio Bolsonaro — dois candidatos que disputam quem tem a versão mais radical do "nós contra eles" —, o resto do continente segue seus próprios dramas. A Colômbia enfrenta um terremoto, o Irã nomeia novos líderes, o Líbano abole a pena de morte. O Brasil, aos olhos de fora, vira um espetáculo interno: não importa o que aconteça no país, a narrativa internacional já está escrita. E ela prefere o drama ao detalhe, a acusação à solução, o conflito à conciliação.

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