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🇧🇷 Brasilviernes, 26 de junio de 2026

A imprensa estrangeira, ao cobrir o Brasil na Copa de 2026, faz algo que merecia mais atenção: o reduz a um adversário. Não a um país, não a uma seleção com história e contexto próprio, mas a um obstáculo numa narrativa que não lhe pertence.

A France 24 Español, ao relatar que Japão "se encontra com Brasil na segunda rodada", não está realmente falando sobre o Brasil. Está informando que uma seleção asiática conquistou uma vaga para enfrentar o pentacampeão mundial. O Brasil aparece no texto como um ponto final, uma instituição confirmada, um destino certo. A notícia não é sobre como o Brasil chegou lá, o que fez, como jogou, qual é seu estado. A notícia é que Japão conseguiu se classificar para enfrentar o Brasil.

Essa é uma nuance importante que a cobertura internacional não costuma examinar. O Brasil, quando aparece nas manchetes estrangeiras durante uma Copa do Mundo, frequentemente surge não como sujeito da narrativa, mas como seu pano de fundo. É a instituição contra a qual outras histórias se medem. É o padrão de comparação. É o adversário que valida ou invalida o desempenho de outros.

A ausência de qualquer análise sobre o desempenho brasileiro nesta rodada, qualquer reflexão sobre seu grupo, seus jogadores, suas perspectivas, é reveladora. Não porque o Brasil tenha sido ignorado completamente, mas porque foi mencionado de forma tão lateral, tão funcional. Serve ao texto como um nome próprio serve a uma sentença: necessário, mas não o centro da atenção.

Há também algo de presumido nesse enquadramento. O Brasil é tão esperado, tão certo de sua qualificação, que não precisa ser analisado. Sua presença nas fases eliminatórias é tratada como um fato meteorológico, inevitável, sem necessidade de explicação ou comentário. Outros países ganham espaço narrativo porque suas trajetórias contêm surpresa, drama, questionamento. O Brasil, não. O Brasil apenas existe, e isso é suficiente.

Isso não é exatamente um retrato desfavorável. Mas também não é um retrato. É um reconhecimento de status. E há algo vazio nessa forma de cobertura, algo que reduz o país a sua função no espetáculo global, em vez de vê-lo em sua complexidade como participante dele.

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